Insane day

3 05 2007

Esse 1o de Maio não deve ter sido um dia fácil para o pessoal do Digg.com. Tudo começou com a iniciativa do Digg de remover todas as notícias relacionadas ao código de encriptação que dá acesso ao conteúdo dos formatos HDTV e Blue-ray.

A resposta dos internautas foi clara. Ontem no meu Google Reader, quase toda a tela ficou tomada por notícias sobre o bendito código.

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Kevin Rose, um dos fundadores do Digg.com, em seu blog jogou a toalha.

Eles apagavam as notícias com medo de processo das indústrias donas dos formatos, mas acabaram entendendo o recado e decidiram que irão lutar pelos seus usários e não contra eles.

A credibilidade do Digg ficou por um fio ontem. O Digg é responsável por 1% do tráfego de internet nos Estados Unidos e brigar com um número tão grande de usuários é entrar para apanhar. Se eles insistem em continuar apagando as notícias, eles teriam um prejuízo em sua marca muito difícil de se apagar.

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Num mundo virtual onde o usuário é quem manda, um site não pode arrumar esse tipo de confusão com o seu público. A decisão do Digg foi muito boa, eles preferiram ficar do lado daqueles que geram a sua receita, os usuários.

Interessante aqui foi a reação em massa das pessoas, uma coisa que os arcáicos senhores corporativos têm certa dificuldade em entender. Se fosse no Brasil, o MPAA poderia entrar na justiça pedindo que fosse cortado o acesso dos brasileiros ao Digg.





Microsoft Exposta

30 04 2007

Com o lançamento do Windows Vista a Microsoft ficou com a guarda desarmada. Oportunidade é única para seus concorrentes e eles não estão desatentos a isso.

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Seu sistema operacional não goza de uma boa reputação. A quantidade de virus, brechas de segurança e telas azuis não ajudam também. Além disso, suas práticas de mercado, fazem com seu seu garoto-propaganda, Bill Gates não tenha também grande popularidade.

Você precisa de uma máquina muito potente para conseguir usar todas as suas firulas gráficas e, para a maioria das pessoas, essa é a sua principal diferênça da versão anterior. Além disso, depois de anos de conveniência, ela está fechando o cerco contra a pirataria de seus produtos. Ou seja, você não pode mais usar o Vista que aquele seu amigo micreiro tem. Até você consegue instalar, mas você não conseguirá fazer nenhuma atualização de segurança (que serão muitas), atualização de bug (que serão muitos) etc.

Por esses motivos, o novo sistema operacional da Microsoft é visto com muita desconfiança por quase todos.

Então, nessa onda de novidade, o usuário vai querer também ter alguma coisa nova, mas não vai querer gastar R$ 900 no Vista e mais de R$2000 numa nova máquina. Nessa toada, o Ubuntu, com a sua badalada versão 7.04, pode ganhar alguns adeptos.

Além disso, outras empresas estão de olho em uma fatia do mercado de aplicativos para escritório. A Adobe quer ser a Microsoft da web. E quando uma empresa do porte da Adobe faz movimentos agressivos como esse, isso é um bom sinal para nós, usuários.

Sem falar na Google, com seu Documentos e Planilhas. Hoje ele ainda não passa nem perto da suite de Redmond, mas a Google já provou ser muito ágil e competente para lançar novidades. Além do mais, ela conta com a vantagem de estar na web, ou seja, quando ela lança uma nova funcionalidade o mundo inteiro já têm disponível automaticamente. Isso é lindo!

Mas não somente as concorrentes querem aproveitar essa guarda baixa, seus clientes também.

Imagine quanto empresas como HP, IBM e Oracle pagam anualmente para a gigante de Seattle em licenças do Windows e Office? Conseguir um conjunto de aplicativos tão bom quanto a dupla da Microsoft, e de graça ou por um preço bem melhor, seria um belo corte de custo.

Talves seja por isso que ações como a Linux Fundation contém com apoio dessas empresas. Essa iniciativa visa padronizar as distros com intuito de alavancar o uso do Linux nas empresas. Ponto para a turma do pinguim.

No entanto a turma de Bill Gates não está dormindo no ponto. Ela lançou recentemente o Silverlight, a plataforma de criação de vídeo e animação na web para competir com o Flash, referência no mundo desenvolvimento web e a tecnologia por trás dos vídeos do Youtube, Google Video, e todos os outros clones. A briga parece ser boa.

Mas a Microsoft é muito grande e não deveria ter problemas para entrar nesse mercado de suites online, certo? Errado. O problema não é técnico, mas mercadológico. Um Office na web (não o que eles chamam de Office on-line), iria canibalizar as vendas do Office atual, ou seja, muitos usuários deixariam de usar o Office tradicional para usar a versão web.

Não somente isso, ela enfrenta o desafio da convergência entre TV e PC, aí a competição será também muito grande. Veja esse post muito interessante. Aqui novamente enfrenta a Google, além de pesos pesados como Joost, Apple TV, TiVo e outras opções que ganham cada vez mais força.

Então a Microsoft tem grande problema para resolver e isso põe fogo no mercado. Mais pontos para o usuário.

Não quero ser um profeta do apocalipse, mas o horizonte da Microsoft é tenebroso. Ela tem novos competidores e a estratégia de esperar e copiar produtos e idéias pode não mais funcionar como ela sempre fez com a Apple, já que a nova arena de luta é muito diferente, a web.

Quanto tempo será que ela aguenta? Isso não sei, mas tempos difíceis estão reservado para ela.





Como seria o Linux se fosse da Microsoft?

17 04 2007

Lendo um artigo sobre Ruby on Rails encontrei a seguinte declaração de Chad Fowler:

“Marketing really is an important part, not just of what’s driving interest in Rails, but of the Rails culture. For years, the geek culture has been extremely suspicious of anything related to marketing. They’re starting to see, through Rails and other successes, that if you really believe in a technology and you want to see others succeed while using it, you need to market it. If nobody knows about it, nobody’s going to use it.” (grifo do autor).

A discussão girava em torno da popularização do Rails e sua competição com o Java.

Há algum tempo discuti sobre a Miopia de Programador na Comunidade Linux e tentei entender porque o Linux, apesar de ser um sistema operacional tão bom, não consegue arranhar a o market share do Windows.

Agora, vendo o que o Mr. Fowler disse, tenho mais uma pista para responder a questão acima.

Isso já era uma coisa que vinha pensando, mas havia uma falácia no meu raciocínio. Eu pensava com maioria dos Linuxers, a Microsoft tem dinheiro de sobra para promover seus produtos, sejam eles bons ou ruins. Já a cumunidade Linux não dispões nem um milésimo disso, ou seja, era um problema de (falta de) dinheiro. Isso é um fato, mas não o ponto central da discussão.

A Microsoft usa toneladas de dinheiro para desenvolver seus produtos, mas a comunidade conta com a paixão e dedicação de um exército de ótimos profissionais trabalhando no desenvolvimento e correção de bugs. Nesse quesito as comunidades open source conseguem competir com muita honra frente ao amigo Bill e qualquer outra software house.

Então um ponto a ser considerado na hora de entender o a questão acima é o marketing que a Microsoft usa para difundir e vender seus produtos.

Para a popularização de um software, ele precisa contar com duas vertentes, uma tecnológica e outra de marketing. É nessa vertente de marketing onde o Linux perde de goleada da Microsoft. Perde por haver uma grande resistência dos geeks, nerds, hackers etc. que trabalham arduamente nos projetos open source. Eles estão inteiramente focados na vertente tecnológica e esquecem do marketing.

Vejam o exemplo do Rails. Ainda não desenvolví nada em Rails, mas pelo que se vê pela web, é uma ferramenta incrivelmente boa, onde traz o prazer de programar de volta a nossa vida (de programador), além de aumentar muito a produtividade. Essa é a única razão do sucesso? Acho que não. A Ruby, foi criada há mais de 10 anos, mas somente agora, com o Rails, que ela ganhou tamanha popularidade. Por que? O Rails é muito bem promovido e com isso tem ganho mais e mais adeptos, inclusive já se diz que será o sucessor do Java no mundo coorporativo.

Vendo o caso do Linux e do Rails posso concluir que apenas ter uma ferramenta incrivelmente boa não garante o pleno sucesso.

Se ainda não concorda, veja o market share do Linux nos servidores web. Nesse setor o Linux compete como gente grande com a Microsoft.

Esse ambiente de servidores são mantidos por geeks. Como geeks não são se importam com o marketing (para tecnologia) eles não são facilmente influenciáveis por ele. Então, ainda há uma prevalência do Linux sobre a MS. Mas Gates não é bobo e ele sabe que não pode contar com a simpatia que o Linux tem frente a comunidade geek, então ele ataca quem não é geek, gerentes, diretores e presidentes. Se eles se convencerem que o Linux, Apache e outros são os demônios na Terra, a plataforma Microsoft está garantida. Mesmo que o cara da sala de servidores não goste…

Como Chad disse, sem o marketing, ninguém vai tomar conhecimento. Sem o marketing ninguém vai usar.

Não estou simplificando a questão, mas isso é uma parte considerável na hora de entender a equação.

Então, respondendo a questão, como seria o Linux se fosse da Microsoft? Considerando como ele é hoje (robusto, estável e seguro), teríamos um sistema operacional que não seria gratuito, muito bem promovido e com uma ótima tecnologia. Estaria eu falando do Mac OS X? Não, porque esse sistema operacional teria 95% do mercado.





FlashPost: Empresas Vigiadas

16 04 2007

No meu post onde eu comento as implicações sociais sobre a Web 2.0. Veja aqui mais um exemplo.

O cara recebeu o primeiro cheque dele do Google Ad-Sense e quando ele foi descontar o cheque voltou!

Em outros tempos, o ele teria somente o boca-a-boca para divulgar a sua indignação. Hoje ele pode contar isso no seu blog e o caso pode ganhar bastante repercussão.

As empresas no mundo Web 2.0 precisam tomar mais cuidado. Elas não são mais intocáveis…





FlashPost: Seu Desabafo é o Meu Desabafo

15 04 2007

Eu não conheço pessoalmente o Fábio Akita, mas após ler muito se seus posts e ver como ele pensa, percebi ser um personagem muito importante em nosso meio.

Ele é um verdadeiro hacker, sedento por conhecimento. Quando li o seu post Mea Culpa: Campanha “Não ao Hot Link”, confirmei mais uma vez isso. O cara, fez a besteira de fazer Hot Link. Com uma grande humildade, ele se desculpou e corrigiu seu erro.

A beleza da correção é que me chamou a atenção. Ele criou um pequeno script em Ruby onde ele redireciou as cerca de 180 imagens em alguns minutos. Simples, mas quantas pessoas que você conhece resolveria da forma como ele resolveu? Pouquíssimas.

O post dele, Off Topic: Um Desabafo, é excelente. Ele sintetizou o que penso do mercado de trabalho de informática e o tipo de profissional que encontramos nele. Vale a pena ler!





FlashPost: Papel no Vaso Abandonado!

13 04 2007

Minha intenção com o Papel no Vaso é tentar publicar semanalmente textos de qualidade. Mas, entre meu penúltimo e último post passaram-se mais de um mês e isso, de acordo com as regras da blogshphera, é um pecado capital.

Particularmente acho um desrespeito quando o autor de um blog demora tanto para postar alguma coisa, então peço publicamente desculpas aos meus leitores.

Nesse período estive envolvido em dois projetos profissionais particulares no qual eu me consumiu todo meu tempo livre.

Além disso, o pessoal da Bravus está editando uma revista com contéudo escrito por blogueiros, e eu não queria ficar de fora, então também tive de trabalhar no texto para a revista que logo logo será publicada.

Então, as últimas semanas foram bem agitadas.

Aproveitando a oportunidade, vou estou inaugurando os flash posts. Tratam-se se posts bem curtinhos, superficiais e quase diários, comentando alguma notícia, lançamento ou qualquer outra coisa. Vamos ver se dá certo.

Abraços!
Flávio





A Riqueza Agora Está em Nós

12 04 2007

A geração de riqueza nas empresas vem da venda de bens para seus consumidores. Elas se esforçam para vender mais e mais, e para isso fazem de tudo para conquistar consumidores para suas carteiras. Do outro lado, elas se procuram minimizar os custo de suas operações, tornando-se cada vez mais efecientes no trabalho de vender.

Elas sempre tentaram acompanhar as necessidades dos seus clientes. No início essas necessidades eram voltadas para alimentação e vestuário, evoluindo para necessidades mais abstratas como viagens, lazer, planos de saúde etc. Então as empresas, na busca de vender mais, procuram satisfazer plenamente as necessidades dos seus clientes.

Com isso criou-se uma estrutura onde as empresas oferem bens e serviços.

De acordo com o artigo de Shoshana Zuboff na edição de lançamento da revista Época Negócios, ela explica que tais necessidades agora estão se voltando para necessidades de procura de coisas que melhorem a sua qualidade de vida, não apenas para quantidade de bens que ela adquire.

De acordo com seu artigo, há um novo mundo de valores econômicos baseados na procura do “direito de autodeterminação, de expressão e de confiabilidade“, o que ela chamou de valores de relacionamento, e que as empresa não estão prontas para satisfazer essas novas necessidades de seus consumidores.

O Internet nasceu da necessidade de troca de informações. Rapidamente ela tornou-se mais um canal de venda para o consumidor. Daí nasceu o famoso e-commerce e dele expoentes como Amazon.com, CDNOW.com dentre outras. Isso foi o que chamaram de Web 1.0.

Há cerca de uns dois anos para cá, ganhou fama o termo Web 2.0, com expoentes como Wikipedia e YouTube. Nessa nova Web 2.0, o consumidor é quem gerar o seu conteúdo. Conteúdo este que será consumido por outros consumidores.

Podemos ver ai então uma inversão de fonte geradora de riqueza. Antes, os consumidores dependiam exclusivamente do que as empresas ofereciam. Hoje, as pessoas querem participar na geração desses produtos, querem opinar e ver o que outrous estão dizendo.

Se a Web 2.0 foi muito criticada por não se tratar de uma revolução tecnologica em si (o Ajax já estava diponível bem antes da Google mostrar como ele é legal), ela ganha uma dimensão social muito grande nesse novo contexto, pois seus representantes atuam como gerenciadores do counteúdo que a comunidade gera e consome.

No YouTube, Wikipedia, e-Bay, Digg entre outros, o usuário é o autor do conteúdo. É esse conteúdo quem gera tráfego de outros usuários em busca desse conteúdo. Esse tráfego gera receita, principalmente com publicidade.

Seria precipitado dizer que as empresas baseadas no modelo convencional de dentro para fora, ou seja, vender o que elas acham que as pessoas querem, irão sumir. Mas essa tendência é irreversível e já está mudando a forma como nos relacionamos com as empresas e seus produtos.

Atualização: Acabei de encontrar um vídeo muito bom sobre Web 2.0





A onda do Ubuntu

1 03 2007

Com está escrito na página Sobre o Autor, eu uso o Ubuntu 6.06 desde de Julho de 2006 ( e não desde de Julho de 2007, graças ao Xterminator). Minha saga em experimentos com o Linux começou há um tempo. Fiquei longe do Linux por um período longo, quando experimentei o Ubuntu e gostei tanto que substitui o meu Windows por ele.

Quando tomei a decisão de usar o Ubuntu, logo veio uma curiosidade, que me corrompia por dentro, como seriam as outras distribuições? Qual a melhor? Devo usar o KDE, Gnome ou Xfce? E varias outras dúvidas tomaram conta da minha cabeça e, aquela decisão solida de ficar com o Ubuntu, foi abalada. Solução? Vamos pesquisar na web.

Nos meus tempos de iniciante no Linux, eu conhecia duas ou três distros, mas, quando iniciei a minha pesquisa, achei inúmeras distros, para minha surpresa. E para minha outra surpresa, tomei conhecimento da briga, quase religiosa entre o pessoal do KDE e do Gnome. Até achei uma declaração do Linus Torvalds recomendando aos usuários Linux a usarem o KDE, ao invés do Gnome.

Eu gostaria de entender o por que dessa briga. Eu li inúmeros postings em foruns e blogs dizendo os prós e contras de cada ambiente, mas nenhum deles me ajudou a entender qual deles eu deveria usar. Esses postings estavam mais preocupados em defender apaixonadamente seus ambientes gráficos, sem se preocupar, com raras exceções, em esclarecer as dúvidas dos usuários. Seria ai mais um caso de Miopia de Programador?

Agora essa briga parece ter voltado a tona, o que eu acho uma verdadeira perda de tempo. Somente atrapalha a decisão do usuário.

Mas, voltando ao assunto das distribuições, antes de decidir entre o KDE ou Gnome, o usuário tem de decidir qual distro ele vai usar. Temos distros bem genéricas até bem específicas, para usuários voltados para música, religião, engenharia etc.

Então qual escolher. Eu digo: Ubuntu é melhor! Antes de você já ir para os comentários e mandar suas broncas, eu digo qual deveria ser a sua resposta: E daí?

Para o Flávio, o Ubuntu é a melhor distro. Para você, leitor, não há uma resposta direta. Se alguém disser para você qual distro usar, desconfie. Somente você sabe quais as duas necessidades.

Então caro usuário, o mundo Linux é um pouco diferente do mundo Windows e Mac. Esses duas plataformas foram feitas para funcionar apenas de uma maneira, não permite que usuário mude o sistema conforme as suas necessidades. Já no Linux, a sua gama de escolhas é quase infinita e demanda um pouco de pesquisa do usuário, o que pode fazer com que o usuário siga alguns modismos.

Uma boa dica para escolha de uma distribuição, veja o site Distrowatch.com, onde você encontra reviews para quase todas as distros. Uma outra boa referência, você encontra o no site BR-Linux.org.

De qualquer forma, se você for um usuário padrão, sugiro (sugestão não é imperativo!) a Ubuntu. É bem fácil de instalar, possui um bom suporte a periféricos e muito estável. Com o Ubuntu na máquina, e enquanto experimenta o mundo Linux, você pode gastar um pouco mais de tempo pesquisando outras distros, como SUSE, Debian (o Ubuntu é baseada nessa), Dreamlinux, Kurumim (essas duas brazucas) e quem sabe até a Slackware (será?), e ver qual se encaixa melhor ai seu perfil.

Agora, se o seu perfil somente se encaixar no Windows, tudo bem, não tem problema, afinal de contas, é você quem sabe o que é melhor para você. Só não esqueça de pagar por ele…





Por que o Wikipedia dificultou a vida dos professores.

20 02 2007

Na semana passada, na edição 431 da Revista Carta Capital, saiu uma reportagem sobre o Wikipedia, intitulada Referência Fast-Food, onde a revista critica a falta de zelo do site com relação às informações dos verbetes, mostrando uma série de exemplos onde misturam-se informações erradas, partidarismo, panfletagem e outra série de imperfeições que tiram a credibilidade das informações do site.

Na minha época (tenho 28 anos), tinhamos em casa a coleção completa da Barsa. Quando tinhamos de fazer um trabalho de escola, esse era o primeiro (e único) lugar onde iríamos procurar sobre o assunto. Era somente copiar o que estava lá para uma folha de almaço e entregar o trabalho.

Hoje as coisas são bem diferentes, temos a Internet, Google e Wikipedia.

De acordo com a reportagem, uma das críticas ao Wikipedia é o fato de que os alunos agora não copiam mais para uma folha de almaço, simplesmente copiam, colam, imprimem e entregam o trabalho, nem mesmo se dando ao trabalho de ler o que estão entregando.

Mas qual a diferênça entre o que os alunos fazem hoje com o que eu fazia antigamente? Continuamos copiando o texto, sem entender ou aprender nada. O fato de você copiar para uma folha de papel não quer dizer que você vai aprender mais do aquele que usou o control-c-control-v.

Quando o aluno copiava o texto da Barsa, Mirador ou outra enciclopédia qualquer, o professor sabia que o conteúdo daquilo era confiável, então era mais fácil corrigir. Conte o número de páginas e dê a nota, proporcionalmente. Fácil!

Agora, os alunos estão copiando do Wikipedia e essas informações não são confiáveis, já que não se sabe a reputação do autor. Então o professor não pode mais confiar cegamente no que ele está recebendo do seu aluno, agora ele tem de ler o trabalho todo. Não somente ler, mas precisam entender do assunto para corrigir as falhas nas informações.

Seria muito arriscado ele dar nota para um punhado de folhas impressas, correndo o risco de endossar com uma boa nota um monte de baboseiras que o aluno copiou do Wikipedia.

Pois é professores, agora vocês têm que saber do assunto do trabalho também.

Então como resolver isso? O invés de pedir para o aluno copie um monte de informações que com certeza ele não irá reter, que tal propor ao aluno assuntos, onde ele tenha que defender uma opinião e embasar seus argumentos em informações que estão disponíveis na Internet ou qualquer outra fonte de informação? Não é assim que funciona na vida?

E se o aluno baseasse seu argumento em uma informação errada oriunda de algum site que ele achou no Google? Azar! Nota baixa para ele. Ele tem de aprender a confrontar as diversar fontes disponíveis, discenir entre o que é certo ou errado e somente aí tirar as suas conclusões.

Será que com isso, não teríamos estudantes mais interessados nos assuntos da aula, vendo o propósito de saber aquelas informações nas quais fazem parte da disciplina estudada. Ou será que não é mais interessante termos um bando de acéfalos, sem o menor senso crítico mas com acesso irrestrito à informação através da Internet?

É mais fácil culpar o Wikipedia, a Internet e o aluno.

Fazer o aluno pensar exige muito preparo por parte dos professores. Eles também precisam pensar. E isso não parece ser a atividade preferida da maioria das pessoas.





Ousar é preciso!

14 02 2007

Trabalho no nono andar de um prédio de escritórios em São Paulo. Da minha janela consigo ver muitas casas, escritórios e pessoas na rua. As vezes me pergunto, como se destacar nesse mundão de gente?

As respostas poderiam ser muitas. Ser criativo. Ser trabalhador (no sentido hard worker). Ter um bom networking. Fazer um MBA. Etc. Na propaganda da Jonny Walker, na concepção de imortalidade do robô, você precisa fazer alguma coisa extraordinária para deixar sua marca na história.

No entanto, nada disso é necessário para se destacar. É necessário ousar! O que nos diferencia dos Steve Jobs, Bill Gates ou Linus Torvalds? Eles ousaram. De maneiras diferentes, mas eles ousaram fazer coisas que antes ninguém teve coragem.

De acordo com a história, Bill Gates roubou a idéia de Steve Jobs, que por sua vez, roubou a idéia da Xerox. As interfaces gráficas e o mouse somente são popularizados por causa deles, Gates e Jobs . A Xerox gastou tempo, talento e dinheiro, mas não teve a ousadia disponibilizar aquelas invensões para o público.

Muitas vezes as pessoas têm medo de ousar. De expor as suas idéias e desenvolvimentos.

Eu mesmo tive muitas idéias sobre produtos e novos negócios. Nenhuma delas sequer sairam do papel. Não por serem má idéias, mas por falta de capacidade de executá-las ou falta de ousadia de sair da minha zona de conforto. Tanto não eram má idéias, que outras empresas as usaram e tiveram muito sucesso.

Veja o caso do Linus Torvalds, criador do Linux. Ele teve o conhecimento e o talento para criar um clone to Unix, coisas que muitas pessoas teriam. Mas apenas pouquíssimas pessoas teriam a ousadia de disponibilizar o seu código para o público.

Desenvolver um novo software é relativamente fácil, mas submetê-lo a outras pessoas, expondo suas fraquezas e defeitos, com risco de ser alvo de críticas que poderiam destruir por completo a reputação do autor e do produto é realmente muito dificil. Todos os méritos para o Linus.

Ousadia também é a capacidade de enfrentar um mercado saturado, tido como maduro em termos mercadológicos, lançando um produto que se propõe a fazer o que os concorrentes fazem, mas bem melhor. Estou falando da Google. Ela entrou no mercado de buscadores e em menos de cinco anos, tornou-se líder, desbancando Yahoo! e Microsoft. Sem falar no mercado de e-mails gratuitos (se não fosse pela Google, ainda teriamos que nos contentar com contas de e-mail de 2MB).

O mundo precisa de todo o tipo de pessoa, mas precisamos de mais Bill Gates, Steve Jobs e Linus Torvalds.

Se você tem algum produto que você acha matador, não tenha medo de lançá-lo. Não tem dinheiro? Corra atrás de financiamento. Não tem tempo? Durma 4 horas por noite, deixe de ver BBB ou deixe o game de lado. Suje suas mãos! Mostre para seus amigos. Enfrente as críticas. Ignore as invejas. E tome cuidado com os elogios. Mas não deixe te tentar. Fracasse se for necessário, mas ouse. Acima de tudo ouse.