VMWare Pode Ser Seu Próximo Sistema Operacional

22 08 2007

Se você não usou no seu desktop, provavelmente já usou acessando a internet ou até mesmo o servidor utilizado pela sua empresa esteja “virtualizado” e compartilhando a mesma máquina com outros servidores.

Agora imagine poder usar qualquer programa, independente de sistema operacional. Quer usar o Photoshop no Linux? Sem problemas. Quer rodar no Apple aquele programa exótico para Windows que só a empresa onde você trabalha tem, agora mesmo.

Há um tempo venho percebendo que a virtualização no desktop tem tomado muito espaço para solução de vários problemas de portabilidade.

Eu mesmo uso e abuso da minha VMWare. Os xiitas de plantão que me desculpem, o Nero para Windows é ainda o melhor programa para queimar CD/DVDs. Como eu uso o Linux, tenho que apelar para máquina virtual para usar o meu querido Nero (mesmo na versão Linux do Nero, enfrento os mesmos problemas encontrados nos seus pares gratuitos para Linux).

Não faz muito tempo, encontrei um site dando as intruções de como colocar o menu Iniciar do Windows no Gnome e ai rodar qualquer programa Windows no Linux, sobre a máquina virtual, totalmente transparente para usuário. As instruções de configuração não são triviais, mas o resultado é impressionante!

vmware.png

Imagine o sequinte cenário. Pegue uma versão do Linux otimizado para rodar apenas máquinas virtuais (viva o opensource!), pode ser Xen ou mesmo VMWare. Agora, instale diferentes sistemas operacionais, todos eles interagindo, como seus programas interagem no Windows. Imagine Windows, Linux e Mac OSX na mesma máquina, sem multiplos boots, rodando ao mesmo tempo! (Acho que já vi isso em algúm lugar!).

Tecnologia para isso já existe. Poder de processamento, estamos melhorando a cada dia. Seria o melhor dos mundos. Qualquer programa, em qualquer sistema operacional. Isso sim é interoperabilidade.

Agora você começa a entender porque a Microsoft está dando muito atenção ao tema virtualização e porque uma VMWare pode tirar o sono da gigante. Agora você também entende a valorização da VMWare logo na abertura de capital.

Vamos continuar de olho. Quem tem a ganhar é sempre o usuário, que pode ter a sua vida bem simplificada (ou não).

PS: Corro risto de ser chamado de “macaco” publicando esse texto hoje, mas ele já estava pronto, apenas esperando o meu último post esfriar, quando essa reportagem do IDG Now foi publicada. Pelo menos eu e o Rosenblum estamos de acordo. 😉

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Microsoft Exposta

30 04 2007

Com o lançamento do Windows Vista a Microsoft ficou com a guarda desarmada. Oportunidade é única para seus concorrentes e eles não estão desatentos a isso.

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Seu sistema operacional não goza de uma boa reputação. A quantidade de virus, brechas de segurança e telas azuis não ajudam também. Além disso, suas práticas de mercado, fazem com seu seu garoto-propaganda, Bill Gates não tenha também grande popularidade.

Você precisa de uma máquina muito potente para conseguir usar todas as suas firulas gráficas e, para a maioria das pessoas, essa é a sua principal diferênça da versão anterior. Além disso, depois de anos de conveniência, ela está fechando o cerco contra a pirataria de seus produtos. Ou seja, você não pode mais usar o Vista que aquele seu amigo micreiro tem. Até você consegue instalar, mas você não conseguirá fazer nenhuma atualização de segurança (que serão muitas), atualização de bug (que serão muitos) etc.

Por esses motivos, o novo sistema operacional da Microsoft é visto com muita desconfiança por quase todos.

Então, nessa onda de novidade, o usuário vai querer também ter alguma coisa nova, mas não vai querer gastar R$ 900 no Vista e mais de R$2000 numa nova máquina. Nessa toada, o Ubuntu, com a sua badalada versão 7.04, pode ganhar alguns adeptos.

Além disso, outras empresas estão de olho em uma fatia do mercado de aplicativos para escritório. A Adobe quer ser a Microsoft da web. E quando uma empresa do porte da Adobe faz movimentos agressivos como esse, isso é um bom sinal para nós, usuários.

Sem falar na Google, com seu Documentos e Planilhas. Hoje ele ainda não passa nem perto da suite de Redmond, mas a Google já provou ser muito ágil e competente para lançar novidades. Além do mais, ela conta com a vantagem de estar na web, ou seja, quando ela lança uma nova funcionalidade o mundo inteiro já têm disponível automaticamente. Isso é lindo!

Mas não somente as concorrentes querem aproveitar essa guarda baixa, seus clientes também.

Imagine quanto empresas como HP, IBM e Oracle pagam anualmente para a gigante de Seattle em licenças do Windows e Office? Conseguir um conjunto de aplicativos tão bom quanto a dupla da Microsoft, e de graça ou por um preço bem melhor, seria um belo corte de custo.

Talves seja por isso que ações como a Linux Fundation contém com apoio dessas empresas. Essa iniciativa visa padronizar as distros com intuito de alavancar o uso do Linux nas empresas. Ponto para a turma do pinguim.

No entanto a turma de Bill Gates não está dormindo no ponto. Ela lançou recentemente o Silverlight, a plataforma de criação de vídeo e animação na web para competir com o Flash, referência no mundo desenvolvimento web e a tecnologia por trás dos vídeos do Youtube, Google Video, e todos os outros clones. A briga parece ser boa.

Mas a Microsoft é muito grande e não deveria ter problemas para entrar nesse mercado de suites online, certo? Errado. O problema não é técnico, mas mercadológico. Um Office na web (não o que eles chamam de Office on-line), iria canibalizar as vendas do Office atual, ou seja, muitos usuários deixariam de usar o Office tradicional para usar a versão web.

Não somente isso, ela enfrenta o desafio da convergência entre TV e PC, aí a competição será também muito grande. Veja esse post muito interessante. Aqui novamente enfrenta a Google, além de pesos pesados como Joost, Apple TV, TiVo e outras opções que ganham cada vez mais força.

Então a Microsoft tem grande problema para resolver e isso põe fogo no mercado. Mais pontos para o usuário.

Não quero ser um profeta do apocalipse, mas o horizonte da Microsoft é tenebroso. Ela tem novos competidores e a estratégia de esperar e copiar produtos e idéias pode não mais funcionar como ela sempre fez com a Apple, já que a nova arena de luta é muito diferente, a web.

Quanto tempo será que ela aguenta? Isso não sei, mas tempos difíceis estão reservado para ela.





Como seria o Linux se fosse da Microsoft?

17 04 2007

Lendo um artigo sobre Ruby on Rails encontrei a seguinte declaração de Chad Fowler:

“Marketing really is an important part, not just of what’s driving interest in Rails, but of the Rails culture. For years, the geek culture has been extremely suspicious of anything related to marketing. They’re starting to see, through Rails and other successes, that if you really believe in a technology and you want to see others succeed while using it, you need to market it. If nobody knows about it, nobody’s going to use it.” (grifo do autor).

A discussão girava em torno da popularização do Rails e sua competição com o Java.

Há algum tempo discuti sobre a Miopia de Programador na Comunidade Linux e tentei entender porque o Linux, apesar de ser um sistema operacional tão bom, não consegue arranhar a o market share do Windows.

Agora, vendo o que o Mr. Fowler disse, tenho mais uma pista para responder a questão acima.

Isso já era uma coisa que vinha pensando, mas havia uma falácia no meu raciocínio. Eu pensava com maioria dos Linuxers, a Microsoft tem dinheiro de sobra para promover seus produtos, sejam eles bons ou ruins. Já a cumunidade Linux não dispões nem um milésimo disso, ou seja, era um problema de (falta de) dinheiro. Isso é um fato, mas não o ponto central da discussão.

A Microsoft usa toneladas de dinheiro para desenvolver seus produtos, mas a comunidade conta com a paixão e dedicação de um exército de ótimos profissionais trabalhando no desenvolvimento e correção de bugs. Nesse quesito as comunidades open source conseguem competir com muita honra frente ao amigo Bill e qualquer outra software house.

Então um ponto a ser considerado na hora de entender o a questão acima é o marketing que a Microsoft usa para difundir e vender seus produtos.

Para a popularização de um software, ele precisa contar com duas vertentes, uma tecnológica e outra de marketing. É nessa vertente de marketing onde o Linux perde de goleada da Microsoft. Perde por haver uma grande resistência dos geeks, nerds, hackers etc. que trabalham arduamente nos projetos open source. Eles estão inteiramente focados na vertente tecnológica e esquecem do marketing.

Vejam o exemplo do Rails. Ainda não desenvolví nada em Rails, mas pelo que se vê pela web, é uma ferramenta incrivelmente boa, onde traz o prazer de programar de volta a nossa vida (de programador), além de aumentar muito a produtividade. Essa é a única razão do sucesso? Acho que não. A Ruby, foi criada há mais de 10 anos, mas somente agora, com o Rails, que ela ganhou tamanha popularidade. Por que? O Rails é muito bem promovido e com isso tem ganho mais e mais adeptos, inclusive já se diz que será o sucessor do Java no mundo coorporativo.

Vendo o caso do Linux e do Rails posso concluir que apenas ter uma ferramenta incrivelmente boa não garante o pleno sucesso.

Se ainda não concorda, veja o market share do Linux nos servidores web. Nesse setor o Linux compete como gente grande com a Microsoft.

Esse ambiente de servidores são mantidos por geeks. Como geeks não são se importam com o marketing (para tecnologia) eles não são facilmente influenciáveis por ele. Então, ainda há uma prevalência do Linux sobre a MS. Mas Gates não é bobo e ele sabe que não pode contar com a simpatia que o Linux tem frente a comunidade geek, então ele ataca quem não é geek, gerentes, diretores e presidentes. Se eles se convencerem que o Linux, Apache e outros são os demônios na Terra, a plataforma Microsoft está garantida. Mesmo que o cara da sala de servidores não goste…

Como Chad disse, sem o marketing, ninguém vai tomar conhecimento. Sem o marketing ninguém vai usar.

Não estou simplificando a questão, mas isso é uma parte considerável na hora de entender a equação.

Então, respondendo a questão, como seria o Linux se fosse da Microsoft? Considerando como ele é hoje (robusto, estável e seguro), teríamos um sistema operacional que não seria gratuito, muito bem promovido e com uma ótima tecnologia. Estaria eu falando do Mac OS X? Não, porque esse sistema operacional teria 95% do mercado.





Miopia de Programador na Comunidade Linux

12 02 2007

Como programador profissional, eu tomo a liberdade de falar um pouco sobre um mal que atinge quase 100% dos programadores de software, a miopia de programador.

Na decada de 60, Theodore Levitt, professor de Marketing de Harvard, escreveu um artigo “Miopia de Marketing”, onde ele faz um estudo sobre uma série de erros de algumas empresas e mostrou a importância da satisfação do cliente, coisa que naquela época nem se pensava.

A mesma coisa acontece com desenvolvimento de software. O usuário pede uma funcionalidade, acaba recebendo outra. Cancei de ver programadores (incluindo eu) dizer “o cara está louco? Para que ele precisa disso?”.

Quem somos nós (programadores) para decidir o que o cliente ou usuário precisa? Temos que nos preocupar em achar as soluções para as necessidades dele, não julgá-lo, taxando-os de burro e ignorante.

Essa miopia de programador também afeta empresas, como a Microsoft. No meu último post eu comentei sobre a repercursão na comunidade open source sobre o e-mail de Jim Allchin, um dos principais desenvolvedores do Windows.

Nesse e-mail Jim critica a falta de foco da MS e conclama seus chefes à volta do foco no cliente, como acontece na empresa de Steve Jobs, a Apple. E isso com o Windows dominando mais de 90% do mercado de sistema operacional.

Vi um comentário de uma pessoa no site Linux-BR criticando a comunidade Linux, dizendo que ela também perdeu o foco no usuário e está mais preocupada em atacar a Microsoft.

Não acho que toda a comunidade está preocupada em atacar a Microsoft somente. Vejo a comunidade Linux perdendo sim seu foco no usuário, na facilidade de instalação de programas etc. Se bem que o site BadVista me deixa em maus lençois…

O leitor Hugo deixou um comentário no meu último post que me fez pensar:

“Se o Linux prega a liberdade no mundo da informática, porque defende a unhas e dentes que os usuários de Windows devem largar tal SO e passarem a utilizar Linux?”

Realmente me fez pensar. Pensar na imagem da comunidade frente aos usuários. O invés de ficar atacando o Windows e quem o utiliza, poderia entender por que os usuários ainda preferem o Windows, apesar de todas as suas falhas.

O Linux é um sistema operacional muito bom, mas ele ainda precisa ser mais user friendly para conquistar espaço do Windows.

Para conseguir isso, precisa deixar a miopia de programador de lado e pensar como usuário para criar um sistema que não assuste o ninguém.





Minha esposa prefere o Windows?!

7 02 2007

Sempre gostei de tecnologia e tenho um amor muito especial com programação de software. Então o interesse em experimentar coisas novas levou-me naturalmente a me aventurar nos mares do Linux.

A primeira distribuição que comecei a testar era uma Red Hat 3.0, datando de meados de 1998-99, se não estou enganado. Naquela época o Linux estava começando a dar seus primeiros passos rumo a popularização, mas ainda era coisa só para deep nerds.

Passado aquela empolgação inicial, começaram os problemas. Lembro-me de ter perdido muitas horas testando e tentando fazer as coisas basicas funcionarem. Uma coisa que nunca funcionou foi acesso a Internet. Então, muito relutante e com o orgulho ferido, desisti do Linux de vez e voltei para o Windows.

Minha esposa, que nos meus tempos do Red Hat ainda era minha namorada, acompanhava minhas alegrias e frustações nas aventuras do mundo Linux (namorada de geek é isso ai.). Ela é uma usuária avançada, mas não uma usuária técnica, não dada a instalação de sistema operacional e configurações mais complicadas.

Passados uns anos, tomei coragem novamente e decidi experimentar uma distribuição do Linux chamada Ubuntu. Logo me conquistou pelo LiveCD, extrema facilidade de instalação e quase zero configuração. Após instalado, a primeira coisa que testei foi a conexão com a Internet (claro!) e para minha agradável surpresa, funcionou de prima!

Super empolgado, mostrei o Ubuntu para minha esposa, e a sua reação foi “legal…”. Confesso que fiquei indignado, como assim “legal…”?! Vou instalar o Linux na sua máquina, ai você vai ver como é mais seguro, melhor que o Windows blá, blá, blá. Ela me disse “ainda prefiro o Windows, eu não sei mexer nesse troço ai, é coisa de nerd”. Caramba, não acredito, ela prefere o Windows como pode?!

Fiquei pensando nisso, por que ela rejeitou o Ubuntu sem mesmo ter experimentado? Por que ela tem medo do Linux? De quem seria a culpa? Uma coisa tenho certeza, méritos do Windows é que não era.

Comecei a ter algumas idéias para essas perguntas quando, num forum da internet sobre Linux, na assinatura da pessoa estava “Linux, para quem não tem preguiça de aprender“. Achei meio arrogante isso.

Por esse raciocínio, quer dizer que a minha esposa teria preguiça de aprender coisas novas? Tenho certeza que não. Meu filho acabou de nascer e nós, principalmente ela, tem aprendido muitas coisas. Não é porque ela não quer aprender como configurar a rede wireless usando linhas de comandos, WPA, iwconfig, iwpric, etc., quer dizer que ela é preguiçosa.

Não estou generalizando, não quero tirar os méritos daqueles que perdem (prefiro dizer, investem) horas fazendo as coisas funcionarem no Linux, afinal eu sou uma dessas pessoas, mas a comunidade Linux tem uma cisma de que usuário de computador tem que gostar de operações mirabolantes para somente configurar um simples driver de video.

O Linux é um sistema operacional maravilhoso (isso no nível do seu kernel), rubusto, estável e seguro, conseguindo atender aplicações críticas de negócio, sistemas embarcados e até equipar desktops em nossas casas e mesas de trabalho. Mesmo assim, ainda não conseguiu ainda nem arranhar o mercado do Windows. Por que isso?

Se quizermos que ele apareça cada vez mais as nossas casas e mesas de trabalho ele deve perder essa fama da coisa de nerd, na qual você precisa ser expert para instalá-lo e configurá-lo.

Infelizmente, o Linux ainda faz por merecer essa fama e não é culpa é dele, mas da comunidade em si. Ela parece sofrer do que eu chamo de miopia de programador.

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