Os macacos contra o Estadão

20 08 2007

Impressionante a repercussão na nação blogueira com nova campanha publicitária do jornal o Estado de São Paulo. Não faltou gritos e urros contra o jornal e a sua agência de publicidade.

Parafraseando o filósofo Falcão, “I’m not monkey, no!”. Mas temos que concordar que a campanha é boa e criativa. Eu mesmo me diverti muito! Fala sério, aquela do Fredão e do moleque ruivo com aparelho dentário são muito boas!

Não estou dizendo nem te ligo, ou nem doeu para o Estadão, mas estou dizendo que teve gente se doendo demais com isso. Não vou citar nenhum blog em específico, até porque não quero que me levem para o lado pessoal, mas pareceu-me que as reações foram um pouco exageradas.

Há pessoas que estão sempre a procura de novos moinhos de vento para derramar toda a sua fúria quixotesca, contra qualquer um que não concorde ou critique as novas mídias, blogs, com conteúdo gerado pelos usuários, Web 2.0, 3.0 etc., que tais coisas são revolucionárias, lindas e maravilhosas. Na semana que passou, dizer que o Estadão é contra a mídia digital, contra os blogs, que ele está perdido, que a guerra começou etc etc virou lugar comum. Qualquer blog que fosse in, tinha que criticar o Estadão.

Li em outro lugar que se “Se estou incomodando, estou no caminho certo“. Mas foi a chamada blogosfera quem mais se ficou incomodada com o assunto e não os barões da “grande” mídia.

No Monitorando, encontrei uma sacada bem legal:

O fato é que o episódio em questão gira em torno do Santo Graal da mídia: credibilidade. Isso mesmo! Nem mídia impressa, nem eletrônica quanto mais instantânea, vive sem credibilidade, sem a confiança de seu público. Para jornalistas, blogueiros, empresas de comunicação – mas também para outras tantas áreas -, credibilidade é o maior patrimônio que se pode querer ter num ambiente de competitividade. E esta é a arena da qual estamos falando: de muita gente despejando informação a todo momento e os públicos não podendo consumir tudo o que se oferece. Caetano já cantou: “Quem lê tanta notícia?”

Recomendo o restante do post, é muito lúcido e coerente.

Do pouco de jornalismo que sei, aprendi a sempre verificar a minhas fontes antes de passar ou publicar alguma informação. Por exemplo, recebi esse final de semana a notícia que o colunista da rádio CBN, do Jornal Estado de São Paulo, Rede Globo e outros, Arnaldo Jabor, fora demitido e impedido de continuar com seus comentários na rádio CBN por determinação sumária do Presidente Lula.

Lendo o conteúdo do e-mail, dá-se a acreditar que uma injustiça está acontecendo que deveríamos nos unir, protestar e blá blá blá…instantaneamente foi verificar. Primeira parada foi o site da CBN, nada. Fui para o Google e encontrei uma série de posts em diversos blogs. Impressionante, todos eles tinham o mesmo texto! Coincidência ou uma nova investida dos intelectuais, criadores e inventores da nova mídia digital?

Não querem ser chamados de macacos? São macacos sim, copiadores e sem o menor senso crítico. Ávidos por furos de “reportagem”. Conclamam o povo a luta, embasados em uma notícia, que pela gravidade em si, deveria ser muito bem apurada.

Os blogs são uma ferramenta extraordinária, tanto que é amplamente usado por diversos nomes da chamada mídia tradicional, inclusive pelo Estadão. Em contrapartida, a facilidade de se clicar no “publicar”, criou uma avalanche de informação, onde o leitor precisa estar cada vez mais preparado para não ser levado pelos Fredões da vida.

Mais uma vez concordo com o Monitorando, o Estadão não quer ofender a nação blogueira, ele procura chamar a atenção dos leitores dos perigos de informações imprecisas, porque não dizer, mentirosas, e conclama para si a credibilidade secular de gerador de informação. Se bem que o Estadão já andou dando as suas mancadas, veja Macacos não enforcam Jesus Cristo!. Nem vou iniciar a discussão sobre pluralismo e jornalismo independente, deixo isso para o Mino Carta, pois ele o faz com maestria.

Caros leitores, cuidado com que vocês lêem. Verifiquem toda e qualquer informação, inclusive as que apresento aqui. Não sejam meros copiadores de informação e opinião (isso não se aplica somente os blogueiros). Aprendam a ter senso crítico e não sejam enganados nem pelo Fredão nem pelo Estadão.





E Agora José?

9 05 2007

A comunidade pediu, gritou, experneou e a Dell finalmente vai vender desktops e notebooks com o Linux, mais especificamente Ubuntu.

ubuntu_banner.jpg

Notícia

Parafraseando Carlos Drummond de Andrade:

E agora, José?
Você baixou a imagem,
queimou o CD,
experimentou a interface,
e gostou.

E agora, José?
Instalou Ubuntu,
SUSE, Debian e Red Hat.
Gastou horas
configurando rede,
modem e placa de som.

E agora, José?
Brigou com seu amigo,
brigou com o Bill Gates,
brigou com a mãe, pai,
irmão e instalou
no computador da sala.

E agora, José?
Sugeriou para Dell,
griou com a Dell,
chorou para a Dell,
e a Dell perguntou,
você respondeu,
até eu respondi.

E agora, José?
A Dell aderiu,
ao seu amado Pinguim.
Quantos pinguins
serão vendidos?
Depende de você, Zé.

E agora, José?
E agora, José?

Agora é a vez do Linux mostrar a sua capacidade mercadológica. Estou curioso para ver qual será a aceitação das máquinas Dell com Linux. Tomara que não tenhamos o mesmo cenário que tivemos aqui, quando 70% das máquinas vendidas com o Linux migraram para alguma versão do Windows (pirata ou não).

Eu realmente torço para seja um sucesso e realmente tenha ótimas vendas. Estou curioso também para ver como será o suporte Dell para os usuários do Pinguim, coisa que na minha opinião é um dos fatores cruciais no sucesso dessa decisão.

Estou bem otimista, afinal de contas, o endosso da Dell ao Linux pode alavancar o uso dele nos micros desktops. Isso pode ser um passo muito importante no amadurecimento dessa ótima plataforma.





Apache com 56%?!

6 05 2007

Vendo hoje meus feedings, descobri que, de acordo com o relatório de maio da Netcraft, o servidor web Apache perdeu 2,86 pontos em relação ao relatório de Abril de 2007.

Investigando os números, a primeira coisa que vemos no relatório é que 2,3% de todos os 118.023.363 foram contabilizados como GFE (Google Front End). De acordo com a Netcraft, a Google customizou sua infraestrutura web, usando soluções feitas por ela mesma. Todos esses sites contabilizados no GFE eram agrupados no Apache, o que caracterizou essa diminuição da margem.

Então, a perda real de mercado do Apache foi de 0,56%. Sendo que o IIS, segundo colocado, ganhou acanhado 0,31%. Nada que “Apachistas” deveriam se preocupar.

O problema real aparece quando olhamos os números dos dois últimos anos.

O que está acontecendo com o servidor web mais usado no mundo? Será que o Apache teve alguma queda tão grande na qualidade de seu código, que abriu espaço para o IIS da Microsoft ou seria resultado do crescimento do monopólio Windows 2003 onde seria mais atrativo usar o IIS?

O liquidat afirma não acreditar nos números, afinal como um servidor tão consagrado e estabilizado com uma comunidade já tão madura poder perder 15 pontos percentuais em dois anos?

Mas questionar os números é uma forma simplista e inútil de resolver a questão. Quando Apache atingiu 70%, ninguém ficou questionando as estatísticas, aposto que nem mesmo o pessoal da Microsoft. Lá eles devem ter dessecado os números para entender onde atacar. E parece estar funcionando, afinal eles avançaram muito no espaço Apache.

Pesquisando alguns comentários, eis alguns fatores que levaram IIS a ganhar tanto terreno:

– Aumento do monópolio Windows 2003

– Facilidade de instalação do IIS

– Aumento da plataforma .NET

O que vocês acham?

Update: A palavra monopólio, como apontado de forma tão elegante e educada por Marcos Ludwig, foi usada de forma incorreta e por isso retirada. Dessa maneira, sem o “monopólio”, eu não preciso mais “desistir” de “palpitar” sobre aquilo que não tenho conhecimento. Mais detalhes sobre o monopólio, veja nesse link.





Insane day

3 05 2007

Esse 1o de Maio não deve ter sido um dia fácil para o pessoal do Digg.com. Tudo começou com a iniciativa do Digg de remover todas as notícias relacionadas ao código de encriptação que dá acesso ao conteúdo dos formatos HDTV e Blue-ray.

A resposta dos internautas foi clara. Ontem no meu Google Reader, quase toda a tela ficou tomada por notícias sobre o bendito código.

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Kevin Rose, um dos fundadores do Digg.com, em seu blog jogou a toalha.

Eles apagavam as notícias com medo de processo das indústrias donas dos formatos, mas acabaram entendendo o recado e decidiram que irão lutar pelos seus usários e não contra eles.

A credibilidade do Digg ficou por um fio ontem. O Digg é responsável por 1% do tráfego de internet nos Estados Unidos e brigar com um número tão grande de usuários é entrar para apanhar. Se eles insistem em continuar apagando as notícias, eles teriam um prejuízo em sua marca muito difícil de se apagar.

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Num mundo virtual onde o usuário é quem manda, um site não pode arrumar esse tipo de confusão com o seu público. A decisão do Digg foi muito boa, eles preferiram ficar do lado daqueles que geram a sua receita, os usuários.

Interessante aqui foi a reação em massa das pessoas, uma coisa que os arcáicos senhores corporativos têm certa dificuldade em entender. Se fosse no Brasil, o MPAA poderia entrar na justiça pedindo que fosse cortado o acesso dos brasileiros ao Digg.





Microsoft Exposta

30 04 2007

Com o lançamento do Windows Vista a Microsoft ficou com a guarda desarmada. Oportunidade é única para seus concorrentes e eles não estão desatentos a isso.

trashed-television-windows.jpg

Seu sistema operacional não goza de uma boa reputação. A quantidade de virus, brechas de segurança e telas azuis não ajudam também. Além disso, suas práticas de mercado, fazem com seu seu garoto-propaganda, Bill Gates não tenha também grande popularidade.

Você precisa de uma máquina muito potente para conseguir usar todas as suas firulas gráficas e, para a maioria das pessoas, essa é a sua principal diferênça da versão anterior. Além disso, depois de anos de conveniência, ela está fechando o cerco contra a pirataria de seus produtos. Ou seja, você não pode mais usar o Vista que aquele seu amigo micreiro tem. Até você consegue instalar, mas você não conseguirá fazer nenhuma atualização de segurança (que serão muitas), atualização de bug (que serão muitos) etc.

Por esses motivos, o novo sistema operacional da Microsoft é visto com muita desconfiança por quase todos.

Então, nessa onda de novidade, o usuário vai querer também ter alguma coisa nova, mas não vai querer gastar R$ 900 no Vista e mais de R$2000 numa nova máquina. Nessa toada, o Ubuntu, com a sua badalada versão 7.04, pode ganhar alguns adeptos.

Além disso, outras empresas estão de olho em uma fatia do mercado de aplicativos para escritório. A Adobe quer ser a Microsoft da web. E quando uma empresa do porte da Adobe faz movimentos agressivos como esse, isso é um bom sinal para nós, usuários.

Sem falar na Google, com seu Documentos e Planilhas. Hoje ele ainda não passa nem perto da suite de Redmond, mas a Google já provou ser muito ágil e competente para lançar novidades. Além do mais, ela conta com a vantagem de estar na web, ou seja, quando ela lança uma nova funcionalidade o mundo inteiro já têm disponível automaticamente. Isso é lindo!

Mas não somente as concorrentes querem aproveitar essa guarda baixa, seus clientes também.

Imagine quanto empresas como HP, IBM e Oracle pagam anualmente para a gigante de Seattle em licenças do Windows e Office? Conseguir um conjunto de aplicativos tão bom quanto a dupla da Microsoft, e de graça ou por um preço bem melhor, seria um belo corte de custo.

Talves seja por isso que ações como a Linux Fundation contém com apoio dessas empresas. Essa iniciativa visa padronizar as distros com intuito de alavancar o uso do Linux nas empresas. Ponto para a turma do pinguim.

No entanto a turma de Bill Gates não está dormindo no ponto. Ela lançou recentemente o Silverlight, a plataforma de criação de vídeo e animação na web para competir com o Flash, referência no mundo desenvolvimento web e a tecnologia por trás dos vídeos do Youtube, Google Video, e todos os outros clones. A briga parece ser boa.

Mas a Microsoft é muito grande e não deveria ter problemas para entrar nesse mercado de suites online, certo? Errado. O problema não é técnico, mas mercadológico. Um Office na web (não o que eles chamam de Office on-line), iria canibalizar as vendas do Office atual, ou seja, muitos usuários deixariam de usar o Office tradicional para usar a versão web.

Não somente isso, ela enfrenta o desafio da convergência entre TV e PC, aí a competição será também muito grande. Veja esse post muito interessante. Aqui novamente enfrenta a Google, além de pesos pesados como Joost, Apple TV, TiVo e outras opções que ganham cada vez mais força.

Então a Microsoft tem grande problema para resolver e isso põe fogo no mercado. Mais pontos para o usuário.

Não quero ser um profeta do apocalipse, mas o horizonte da Microsoft é tenebroso. Ela tem novos competidores e a estratégia de esperar e copiar produtos e idéias pode não mais funcionar como ela sempre fez com a Apple, já que a nova arena de luta é muito diferente, a web.

Quanto tempo será que ela aguenta? Isso não sei, mas tempos difíceis estão reservado para ela.





Como seria o Linux se fosse da Microsoft?

17 04 2007

Lendo um artigo sobre Ruby on Rails encontrei a seguinte declaração de Chad Fowler:

“Marketing really is an important part, not just of what’s driving interest in Rails, but of the Rails culture. For years, the geek culture has been extremely suspicious of anything related to marketing. They’re starting to see, through Rails and other successes, that if you really believe in a technology and you want to see others succeed while using it, you need to market it. If nobody knows about it, nobody’s going to use it.” (grifo do autor).

A discussão girava em torno da popularização do Rails e sua competição com o Java.

Há algum tempo discuti sobre a Miopia de Programador na Comunidade Linux e tentei entender porque o Linux, apesar de ser um sistema operacional tão bom, não consegue arranhar a o market share do Windows.

Agora, vendo o que o Mr. Fowler disse, tenho mais uma pista para responder a questão acima.

Isso já era uma coisa que vinha pensando, mas havia uma falácia no meu raciocínio. Eu pensava com maioria dos Linuxers, a Microsoft tem dinheiro de sobra para promover seus produtos, sejam eles bons ou ruins. Já a cumunidade Linux não dispões nem um milésimo disso, ou seja, era um problema de (falta de) dinheiro. Isso é um fato, mas não o ponto central da discussão.

A Microsoft usa toneladas de dinheiro para desenvolver seus produtos, mas a comunidade conta com a paixão e dedicação de um exército de ótimos profissionais trabalhando no desenvolvimento e correção de bugs. Nesse quesito as comunidades open source conseguem competir com muita honra frente ao amigo Bill e qualquer outra software house.

Então um ponto a ser considerado na hora de entender o a questão acima é o marketing que a Microsoft usa para difundir e vender seus produtos.

Para a popularização de um software, ele precisa contar com duas vertentes, uma tecnológica e outra de marketing. É nessa vertente de marketing onde o Linux perde de goleada da Microsoft. Perde por haver uma grande resistência dos geeks, nerds, hackers etc. que trabalham arduamente nos projetos open source. Eles estão inteiramente focados na vertente tecnológica e esquecem do marketing.

Vejam o exemplo do Rails. Ainda não desenvolví nada em Rails, mas pelo que se vê pela web, é uma ferramenta incrivelmente boa, onde traz o prazer de programar de volta a nossa vida (de programador), além de aumentar muito a produtividade. Essa é a única razão do sucesso? Acho que não. A Ruby, foi criada há mais de 10 anos, mas somente agora, com o Rails, que ela ganhou tamanha popularidade. Por que? O Rails é muito bem promovido e com isso tem ganho mais e mais adeptos, inclusive já se diz que será o sucessor do Java no mundo coorporativo.

Vendo o caso do Linux e do Rails posso concluir que apenas ter uma ferramenta incrivelmente boa não garante o pleno sucesso.

Se ainda não concorda, veja o market share do Linux nos servidores web. Nesse setor o Linux compete como gente grande com a Microsoft.

Esse ambiente de servidores são mantidos por geeks. Como geeks não são se importam com o marketing (para tecnologia) eles não são facilmente influenciáveis por ele. Então, ainda há uma prevalência do Linux sobre a MS. Mas Gates não é bobo e ele sabe que não pode contar com a simpatia que o Linux tem frente a comunidade geek, então ele ataca quem não é geek, gerentes, diretores e presidentes. Se eles se convencerem que o Linux, Apache e outros são os demônios na Terra, a plataforma Microsoft está garantida. Mesmo que o cara da sala de servidores não goste…

Como Chad disse, sem o marketing, ninguém vai tomar conhecimento. Sem o marketing ninguém vai usar.

Não estou simplificando a questão, mas isso é uma parte considerável na hora de entender a equação.

Então, respondendo a questão, como seria o Linux se fosse da Microsoft? Considerando como ele é hoje (robusto, estável e seguro), teríamos um sistema operacional que não seria gratuito, muito bem promovido e com uma ótima tecnologia. Estaria eu falando do Mac OS X? Não, porque esse sistema operacional teria 95% do mercado.





FlashPost: Empresas Vigiadas

16 04 2007

No meu post onde eu comento as implicações sociais sobre a Web 2.0. Veja aqui mais um exemplo.

O cara recebeu o primeiro cheque dele do Google Ad-Sense e quando ele foi descontar o cheque voltou!

Em outros tempos, o ele teria somente o boca-a-boca para divulgar a sua indignação. Hoje ele pode contar isso no seu blog e o caso pode ganhar bastante repercussão.

As empresas no mundo Web 2.0 precisam tomar mais cuidado. Elas não são mais intocáveis…